quarta-feira, 25 de janeiro de 2012







Depois de uma certa intensidade, o emocional vira físico, as metáforas se desfazem em minha língua e amarelam meus dentes. Me perco em milhões de desculpas por ter arame farpado em tudo que sou. Desculpo-me por ter-te em minha mão e não saber como segurar. Desculpo-me por não saber a diferença entre o Céu e o Inferno e não saber que caminho tomar, desculpo-me por ser tão incapaz. Desculpo-me pelo meu açúcar tão amargo, meu alucinógeno tão forte. Desculpo-me por não encher o peito e cantar pro teu coração bater mais fraco.
Desculpo-me por me desculpar demais.
Desculpa.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011




Engraçado como é fácil manter a mente vazia enquanto se finge um sorriso, como é complicado levantar da cama de manhã, como é desconfortável um abraço falso, como é triste não saber da verdade, como é constrangedor abrir o peito... Engraçado meio distorcido, engraçado meio sádico, ainda mais pra quem não sabe mais como respirar na ácida atmosfera que lhe sangra a pele. Engraçado é como nada vira tudo quando se tem o coração selvagem, quando se contenta com detalhes, quando se dispõe a ficar ali, e ali está, em silêncio. És silêncio. Engraçado quando tudo aquilo que transpassa a dor te levanta o queixo... o queixo de quem não quer saber de nada, de quem se faz de nada e de quem é nada. Engraçado como tudo aquilo que te solta o nó no peito ainda quer ficar por perto, como uma maldição que voa pelo seu ombro, amaldiçoa tua tristeza, e então não é mais tão constrangedor abrir o peito quando tens o peito tão transparente. Bonito. Engraçado.
Bonito não é precisar de alguém, bonito é querer quem pega tua dor pra si.
Engraçado é só saber rir com um sorriso sem graça.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011






Todo o gelo fez o coração parar.
Ou será que fui eu? Pode ter sido eu. Talvez tenha sido eu. Estou congelando.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011





Fique.
Enterrado à incontáveis palmos dentro da minha cabeça, onde só preciso lembrar pra ter-te perto. Fique. Nunca soube lidar com esses soluços e espasmos em que sempre voltava e me sentia em casa. Fique. Talvez eu simplesmente não aguente mais todo esse vazio que às vezes confundo com saudade. Fique. Destruindo tudo o que toca, me destruindo quando me toca.
Fique onde está, nas seis fotos coloridas que aparecerem fora de sequência, fique... enquanto eu as arranco em um bem-me-quer. Fique com medo pois não sabe o que faz. Fique nervoso pois não sabe onde está. Fique parado enquanto te deixo queimar, fique tranquilo enquanto fica pra trás.
No final das contas o relógio é lento demais.
Fica. Pode ficar, fique triste, fique feliz, fique arrependido, fique fugindo, fique indiferente, fique com medo, fique tentando, permaneça tentando. Fique quieto enquanto vai pra longe. Longe. Fique longe.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011




Felicidade vem e vai. Os nós na minha cabeça oscilam de volume e enlouquecem, não falam tudo que têm a dizer... me enlouquecem. Não sei se é loucura, é meio louco. Às vezes tenho longos intervalos tediosos, e tédio é tão normal. Tanto faz se me importo ou deixo de me importar, se estou ou deixo de estar, tudo vai permanecer pela metade. Na metade do dia subo até a metade do prédio pra entrar na sala do meio e encontrar pessoas que se importam pela metade, estão meio aí, dispostas a percorrer meio caminho pra completar sua metade. Nunca fará sentido. Até que é meio irritante, mas basta meia pílula pra dormir, pupilas meio dilatadas, cobertor cobrindo meio corpo, um pouco de desespero, um pouco de epifania, meio cigarro, meio sonolenta, meio suicida, só pra desaparecer completamente.
Felicidade foi, mas parou no meio do caminho, só pra poder olhar pra trás.

quarta-feira, 21 de setembro de 2011




Faça das lâmpadas empoeiradas de minha aura a luz que ilumina os passos de teus ancestrais, os passos que almeja dar, e então, finalmente achará teu lar, mesmo que não seja onde tenha o deixado, ou continue a tentar desenrolar os finos fios de navalha que marcam tua face atrás das gotinhas salgadas que brotam sempre tão brilhantes. Continue a reclamar de todos os caminhos, todos os degraus, todos os cantos, fotografias, memórias, tristezas que merecem o toque da tua gélida respiração. Tente entender que cada segundo aqui enche teus pulmões de nada e sangra teu coração por tudo, não pertence a essa atmosfera ácida, não precisa voltar... Estarei aqui pra sempre, até o tempo desistir de mim. Apenas faça de mim um molde bruto de tua memória, me procure, estarei vagando pela cidade que nunca dorme quando estiver mais acordada que nunca, faça de mim o que tu é. Olhe em meus olhos e diga se vê minha alma, minha alma tão vazia quanto os meus olhos.





Meu amor, fale mais alto, estamos separados por um abismo vazio que ecoa as batidas do meu coração aflito, desesperado pelo timbre de tua voz.
Eu te suplico. Mesmo que não alcance minha mão, fale mais alto, grite e se deixe levar, me deixe te buscar, cante com tua voz desafinada e tua alma melodiosa, faça de mim alguém são.
Tentei gritar teu nome enquanto jogava uma linha na rachadura sem fim, para ver se eu conseguia pescar um sonho torturante feito de papel. Por mais que eu tentasse, não conseguia (...)
O anestésico estava borbulhante, os hematomas e contusões não me preocupam mais. O abismo já não é o maior problema de todos, é a emergência, a sua, a minha. Já ouço o som da pele morta no chão de madeira, já sinto o cheiro das asas de quarentena... Sente-se e relaxe, eu estou chegando.
Vou esperar a gravidade me levar até você. Só, por favor, fale mais alto para que eu possa ouvir algo além do vento, que me sussurra piadas extasiantes.
Me fez prometer que não te seguiria quando partisse, mas vimos como não sou confiável desde o primeiro minuto. Foi a promessa quebrada mais honrada de toda nossa história. Minhas alucinações vão partir e eu nunca mais terei o mesmo pesadelo, meu pior pesadelo, meu pesadelo favorito. Mas logo estarei aí, segurando o mundo com meu punho, esculpindo as estrelas com as unhas, assim como você o faz.
Agora vá acender seu cigarro, pois logo estarei com você.
Fale mais alto, pois apesar de eu não entender suas palavras, eu sei que é sua voz.