segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Em dias como esse é bom se apoiar na alegria improvisada que é encher o peito com um suspiro cheio de utopia, com aquele sentimento quente que dá quando a saudade acaba, quando a tristeza vira alegria, quando se concretiza um sonho bobo. Se mistura tudo num suspiro longo, leve... Improvisa o sentimento bom que devia durar o dia inteiro, a semana inteira, o mês inteiro, mas só dura os cinco segundos que dá pra prender a respiração...

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Tão repentino que queima quando atinge o coração. Apareceu como se jamais fosse embora, me arrastou pra dentro e não me deixou dormir, envolveu-se a ponto do corpo doer cada vez que passa por uma placa de saída, oitenta quilômetros mais perto de casa, duzentas batidas cardíacas mais longe. A cidade perdeu a cor, eu perdi a cor. Já faz tanto tempo... ...tão frágil que a vitória mais sincera que dá pra pensar é finalmente estar de peito vazio, se sentir desconhecido e sozinho, pele e osso. Um realista barato.

quinta-feira, 10 de maio de 2012

C-c-c-c-cocaine.

Como pareço ser, afinal? Algo que você experimenta, gosta. Experimenta de novo, gosta mais. Vicia, enlouquece. Se perde. Se obceca. Ama. Então percebe que não te faz bem, que te derruba, te deprime. Logo larga. Desaparece. Pra outros lugares, com outros vícios, outros amores, outras quedas. Sente falta, claro que sente. Dá vontade. Aí volta, sempre volta. Decide voltar, desiste. Como se eu fosse estar sempre lá, numa pequena cápsula, te esperando pra explodir.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012







Depois de uma certa intensidade, o emocional vira físico, as metáforas se desfazem em minha língua e amarelam meus dentes. Me perco em milhões de desculpas por ter arame farpado em tudo que sou. Desculpo-me por ter-te em minha mão e não saber como segurar. Desculpo-me por não saber a diferença entre o Céu e o Inferno e não saber que caminho tomar, desculpo-me por ser tão incapaz. Desculpo-me pelo meu açúcar tão amargo, meu alucinógeno tão forte. Desculpo-me por não encher o peito e cantar pro teu coração bater mais fraco.
Desculpo-me por me desculpar demais.
Desculpa.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011




Engraçado como é fácil manter a mente vazia enquanto se finge um sorriso, como é complicado levantar da cama de manhã, como é desconfortável um abraço falso, como é triste não saber da verdade, como é constrangedor abrir o peito... Engraçado meio distorcido, engraçado meio sádico, ainda mais pra quem não sabe mais como respirar na ácida atmosfera que lhe sangra a pele. Engraçado é como nada vira tudo quando se tem o coração selvagem, quando se contenta com detalhes, quando se dispõe a ficar ali, e ali está, em silêncio. És silêncio. Engraçado quando tudo aquilo que transpassa a dor te levanta o queixo... o queixo de quem não quer saber de nada, de quem se faz de nada e de quem é nada. Engraçado como tudo aquilo que te solta o nó no peito ainda quer ficar por perto, como uma maldição que voa pelo seu ombro, amaldiçoa tua tristeza, e então não é mais tão constrangedor abrir o peito quando tens o peito tão transparente. Bonito. Engraçado.
Bonito não é precisar de alguém, bonito é querer quem pega tua dor pra si.
Engraçado é só saber rir com um sorriso sem graça.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011






Todo o gelo fez o coração parar.
Ou será que fui eu? Pode ter sido eu. Talvez tenha sido eu. Estou congelando.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011





Fique.
Enterrado à incontáveis palmos dentro da minha cabeça, onde só preciso lembrar pra ter-te perto. Fique. Nunca soube lidar com esses soluços e espasmos em que sempre voltava e me sentia em casa. Fique. Talvez eu simplesmente não aguente mais todo esse vazio que às vezes confundo com saudade. Fique. Destruindo tudo o que toca, me destruindo quando me toca.
Fique onde está, nas seis fotos coloridas que aparecerem fora de sequência, fique... enquanto eu as arranco em um bem-me-quer. Fique com medo pois não sabe o que faz. Fique nervoso pois não sabe onde está. Fique parado enquanto te deixo queimar, fique tranquilo enquanto fica pra trás.
No final das contas o relógio é lento demais.
Fica. Pode ficar, fique triste, fique feliz, fique arrependido, fique fugindo, fique indiferente, fique com medo, fique tentando, permaneça tentando. Fique quieto enquanto vai pra longe. Longe. Fique longe.